segunda-feira, 12 de abril de 2010

Texto para Refletir.

Para Durkheim, (...)
a religião é uma das fontes na qual se criam regras de comportamento, normas e garantias de harmonia entre os homens. Ou seja, é também através dela que as sociedades se organizam, se estruturam e formam uma imagem de si mesmas. Quantas vezes, por exemplo, ouvimos dizer que quem é religioso é também sério, honesto, cumpridor de seus deveres e obrigações? Ou seja, seguidor de regras de comportamentos que a própria sociedade cultiva.

OLIVEIRA, L.F. ; COSTA, R.C.R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo

Família.


A família é uma das principais instituições sociais. É nela que tomamos contato com as primeiras lições sobre a vida em sociedade.

O bom funcionamento da sociedade.

Durkheim também manifestou uma grande preocupação com o bom funcionamento das sociedades humanas, o que nos levou a classificá-lo como um funcionalista. Para avançarmos um pouco mais nessa questão, precisaremos tomar contato com o conceito de instituição social.
Por instituição social, podemos tomar uma determinada regra ou um valor que sejam reconhecidos, aceitos e confirmados pela sociedade, pois sua importância advém do fato de serem estratégicos para manter a organização social e satisfazer as necessidades dos indivíduos. Assim, em qualquer sociedade, há várias instituições desse tipo, como a família, a escola, o governo, a religião; todas elas são mecanismos de proteção e manutenção da sociedade.
Durkheim teve um apreço especial em relação às instituições sociais, exatamente por entender a importância delas para o bom funcionamento de qualquer sociedade. Isso nos remete a outra preocupação desse sociólogo, qual seja, a questão de saber o que é um fato social normal e um não-normal, ou, mais precisamente, a anomia.
Para Durkheim, a sociedade é semelhante a um organismo que apresenta estados normais e estados patológicos. Aqueles se caracterizam por representar um consenso entre os indivíduos, enquanto estes significam a ruptura desse consenso. Em uma sociedade em que as instituições estejam corrompidas, a anomia operará largamente, isto é, ocorrerá uma patologia social que provocará a desestruturação social.
Uma sociedade sem regras claras, sem valores delimitados e sem limites é uma sociedade em estado de anomia, o que pode levar os indivíduos que a compõem a um profundo desespero. Em sua obra O suicídio, de 1897, Durkheim procurou demonstrar a relação entre a anomia e o alto número de suicídios ocorridos na Europa no século XIX.
Por essa época, as instituições sociais europeias se encontravam enfraquecidas, pois havia muitos valores tradicionais sendo rompidos, sobretudo por conta da industrialização e todas as vantagens e desvantagens que ela trouxe em seu bojo.

A sociologia de Émile Durkheim

A sociologia de Durkheim tem como objeto de estudo os fatos sociais, por meio dos quais é possível apreender o que é uma sociedade. Essa preocupação tem origem no positivismo, pensamento social atuante na França do século XIX, que procurou estudar a sociedade da mesma forma como ocorre nas ciências naturais.
Segundo Durkheim, o fato social é tudo aquilo que pode ser considerado como coisa, ou seja, tudo o que existe nas sociedades humanas e que pode ser tratado da maneira como a Física estuda os corpos e seus movimentos. Nas palavras do próprio autor, o fato social "é toda aquela maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior".
A partir dessa concepção, podemos afirmar que fato social é todo aquele acontecimento que possui três características fundamentais:
• Generalidade – Todo fato social deve ocorrer em qualquer sociedade humana, como, por exemplo, a divisão do trabalho, o matrimônio e as leis;
• Coercitividade – É a qualidade de imposição que todo fato social deve exercer sobre os indivíduos. A capacidade de coerção de um fato social deve-se ao fato de este fenômeno existir antes de nós chegarmos ao mundo. Por exemplo, as regras e normas diversas existem e, se não as acatamos, somos passíveis das respectivas punições;
• Exterioridade – Essa característica tem origem em outro conceito também importante na sociologia de Durkheim, que é o de consciência coletiva. Derivada da coercitividade, a exterioridade significa que o fato social é externo ao indivíduo, ou seja, está além da sua consciência particular ou individual.
Outra preocupação de Durkheim foi com a questão da neutralidade e objetividade da sociologia. Segundo esse pensador social, é recomendável ao pesquisador social manter uma atitude de distanciamento do objeto de estudo, como ocorre nas ciências naturais. Isto é possível através de uma rígida separação entre o objeto a ser estudado e o sujeito que o estuda, além do que, cabe ao sujeito tratar o respectivo objeto como coisa.
O sociólogo francês também buscou elaborar uma classificação das sociedades, cujo critério era baseado na solidariedade humana, dividida em dois tipos: a solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica. A primeira é fundamentada nos laços de parentesco, religião e tradições em geral. É típica das sociedades pré-capitalistas. A segunda já é mais comum entre as sociedades modernas ou capitalistas, e está calcada na divisão do trabalho, pois Durkheim afirmava que esta divisão é básica em qualquer sociedade, porém, nas sociedades capitalistas, ela praticamente é a mais importante para a manutenção da coesão social.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Conhecendo um Pouco Émile Durkheim.



Podemos afirmar que a sociologia de Comte mais se assemelhou a uma proposta de conduta social do que propriemente a uma ciência social. É por isso que muitos sociólogos afirmam que a sociologia enquanto ciência nasceu com outro francês: Émile Durkheim.
Durkheim nasceu em 15 de abril de 1858, na cidade de Épinal, na região francesa da Alsácia-Lorena. Formou-se na Escola Normal Superior de Paris em 1882. Lecionou filosofia nos liceus de Sens, Saint-Quentin e Troyes entre 1882 e 1885. Em 1887, aos 29 anos de idade, tornou-se responsável pela cátedra de sociologia na Universidade de Bordéus, onde começou a escrever algumas de suas obras. Em 1902, de volta a Paris, foi nomeado assistente na cadeira de Ciência da Educação, e, em 1910, tranformou-se em cadeira de Sociologia.
Entre as principais obras desse importante sociólogo estão:
* As regras do método sociológico;
* Da divisão do trabalho;
* O suicídio e,
* As formas elementares da vida Religiosa.
Após toda uma vida de exclusiva dedicação ao ensino e a pesquisa da ciência da sociedade, tendo passado este empenho para seus familiares, como seu sobrinho Marcel Mauss, importante antropólogo, Durkheim faleceu em 15 de novembro de 1917.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A sociologia de Comte se Fundamenta em três princípios.

1) Prioridade do todo sobre as partes;
2) Progresso dos conhecimentos como característica da humanidade.
3)Homem igual em qualquer lugar e qualquer momento histórico.

Disso resulta a classificação das sociedades, a partir da interpretação da Lei dos Três Estados. Segundo Comte, a humanidade passa por três estágios de evolução social:
* O teológico, momento no qual os homens explicam os fenômenos diversos através dos deuses;
* O metafísico, através de ideias gerais, como o pecado original, por exemplo, se estabelecem os valores sociais;
* O positivo ou científico, no qual as explicações devem decorrer do método científico, que seria o momento das sociedade industriais.

O pensamento comtiano causou grande influência na sociologia de Émile Durkheim, que, juntamente com Max Weber e Karl Marx, foram os chamados "clássicos do pensamento sociológico".

O Positivismo de Augusto Comte






Nascido em Montpellier, França, Augusto Comte foi o criador da filosofia positivista, por meio da qual buscou realizar um projeto de física social, ou, como ele mesmo chamou, um projeto de sociologia.

Sua "teoria positiva" partia do princípio de que os homens deveriam aceitar a ordem existente, não devendo contestá-la. Ao ser humano caberia "revelar" o mundo, não existindo a possibilidade de "mudá-lo". Sendo Assim, o objetivo da sociologia seria o de definir "o que a sociedade é", e não o de dizer "o que ela deveria ser".

O positivismo está alicerçado na prática da coleta de dados sobre determinada sociedade, cuja análise deve ser feita a partir da constatação e confirmação desses dados.


Esse sistema filosófico é composto:

* pelo pragmatismo, isto é, o valor prático considerado como critério da verdade;

* pelo empirismo, ou seja, pelo conhecimento adquirido através da experiência.


Não basta, portanto, a apresentação de ideias vagas, sem consistência, e, principalmente, sem fundamentação. A sociologia é vista então como uma ciência do entendimento, pois, para se entender o espírito humano, é necessário observar sua atividade e sua obra na sociedade através dos tempos. O modo de pensar e a atividade do espírito são solidários com o contexto social, estando vinculados a uma determinada época de cada pensador.

A sociologia seria uma tentativa de compreender o ser humano em grupo; concentra-se em nossa vida social. Não enfoca a personalidade do indivíduo como a causa do comportamento, mas examina a interação social, os padrões sociais e a socialização em processo (origem e desenvolvimento das sociedades).

Comte pretendia separar definitivamentetoda e qualquer influência proveniente da filosofia, da economia ou da política, enfocando somente o aspecto social para objeto de estudo. O positivismo visava à aplicação da metodologia das ciências naturais na confecção das ciências sociais. Acreditava, também, na constante evolução do homem, e pensava que a sociologia deveria solucionar a questão social decorrente da Revolução Industrial.